Inversor híbrido trifásico 220 V de 15 a 35 kW: o que existe no Brasil (Solis, Deye, GoodWe)
Comparativo dos híbridos trifásicos para rede 127/220 V com bateria de alta tensão que têm ficha brasileira: potência de backup, corrente de bateria, sobrecarga, paralelo e registro no INMETRO, com os números das fichas oficiais.
Quem procura um inversor híbrido trifásico de 220 V com bateria no Brasil encontra pouca informação em português e muita confusão com modelos on-grid. Este comparativo reúne os equipamentos que têm página brasileira e ficha oficial na faixa de 15 a 35 kW para rede 127/220 V, com os números que importam na hora de decidir: potência de backup, corrente de bateria, sobrecarga para partida de motores, paralelo e registro no INMETRO.
Por que "220 V" muda tudo
A maior parte das cidades do interior de São Paulo, incluindo Sorocaba e a área da CPFL Piratininga, tem rede trifásica de 127 V entre fase e neutro e 220 V entre fases. Os híbridos trifásicos mais comuns no mercado são feitos para 220/380 V, a rede das capitais e de parte do Nordeste. Um inversor de 380 V ligado numa rede de 220 V não funciona sem transformador, e o transformador come eficiência, espaço e dinheiro.
Por isso a primeira pergunta é a tensão da sua rede, e só depois a marca. Se a conta de luz diz "trifásico" e o padrão de entrada mede 220 V entre fases, o equipamento certo é um híbrido "LV" ou "127/220 V". A CSolar explica a diferença em Rede trifásica 220 V ou 380 V: qual inversor de bateria serve na sua casa ou empresa.
Os candidatos com ficha brasileira
Três famílias têm ficha oficial e página no Brasil para rede 127/220 V com bateria de alta tensão nessa faixa de potência:
| Item | Solis S6-EH3P(15-35)K-H-LV(21A) | Deye SUN-30K-SG01HP3-BM4-LV | GoodWe GW12KL-ET e GW18KL-ET |
|---|---|---|---|
| Potências | 15, 20, 25, 30 e 35 kW | 30 kW | 12 e 18 kW |
| Rede | 3/(N)/PE, 127/220 V, 60 Hz | 220 V trifásico | 127/220 V, 3L/N/PE |
| Bateria | 150 a 800 V, 2 entradas de 80 A | 160 a 800 V, 2 entradas de 50 A | 112 a 650 V; 50 A (12K) ou 2 x 50 A (18K) |
| Backup | potência nominal, 160% por 2 s e 150% por 10 s, menos de 10 ms | 150% por 10 s (ficha europeia), saída desbalanceada até 50% da nominal por fase | 12.000 VA (14.400 por 60 s) ou 18.000 VA (21.600 por 60 s), menos de 10 ms, 100% desbalanceada |
| Painéis | 3 MPPT, 21 A por string, até 2x a nominal | 4 MPPT, até 39 kWp | conforme a ficha de cada modelo |
| Gerador | entrada dedicada com partida automática | entrada de gerador | entrada de gerador |
| Paralelo | até 6 unidades | até 10 unidades | não consta na ficha |
| Registro INMETRO (Portaria 140/2022) | cinco registros ativos, um por modelo | conferir pelo código do modelo na base do INMETRO | conferir pelo código do modelo na base do INMETRO |
| Documentação em português | ficha e manual em português | ficha em português nas lojas | ficha em português no site do fabricante |
Fontes: folha de dados Solis Brasil V2.4 e manual do usuário V1.1 (08/2026); páginas do Deye SUN-30K-SG01HP3-BM4-LV nos distribuidores brasileiros e ficha europeia do fabricante; datasheet GoodWe ET 12-30 kW em português (V2.1, 09/2025). Os valores de sobrecarga do Deye vêm da ficha europeia e devem ser confirmados na ficha brasileira antes de dimensionar.
O que cada número significa na prática
Potência de backup. É o que fica ligado quando a rede cai. Um supermercado de bairro com câmara fria, freezers, caixas e ar-condicionado costuma pedir de 15 a 25 kW no quadro prioritário; uma casa trifásica com cinco aparelhos de ar-condicionado chega a 20 kW de placa. A escada do Solis (15, 20, 25, 30 e 35 kW) permite escolher o degrau certo sem pagar por potência que não será usada. O Deye tem um único degrau, de 30 kW. Os GoodWe param em 18 kW.
Corrente de bateria. Define quanta potência o banco entrega e quão rápido recarrega. Com 2 x 80 A, o Solis puxa até 33 kW de um banco de 13 módulos Dyness (66,6 kWh) no modelo de 30 kW; com 2 x 50 A, o Deye fica em até 25 kW num banco de 500 V. A diferença aparece na partida de compressores e no tempo de recarga em dia de sol.
Sobrecarga. Motores e compressores pedem mais corrente na partida. Os 160% por 2 segundos e 150% por 10 segundos do Solis cobrem a partida de condensadoras inverter e de bombas comuns; os 150% por 10 segundos do Deye também. Para motores de partida direta, o projeto precisa conferir a curva de cada inversor.
Paralelo. Quando a carga crítica passa de um inversor, entram duas ou mais unidades. O Solis vai até 6, o Deye até 10; cada inversor precisa do próprio banco de baterias.
Registro no INMETRO. Desde a Portaria 140/2022, inversores com bateria precisam de registro para serem importados e vendidos no Brasil, e a distribuidora pede o modelo registrado na homologação. Os cinco modelos Solis LV(21A) têm registro ativo (003611, 003613, 003617 e 003619 de 2026, e 014011 de 2025). Para qualquer outro equipamento, peça ao fornecedor o número do registro do código exato que está na plaqueta.
O que fica de fora da lista
Alguns nomes conhecidos não entram porque não têm versão 220 V fase-fase nesta faixa: os híbridos trifásicos da Sungrow (SH15/20/25T), da Huawei (SUN2000 12 a 25K com LUNA2000) e da Sofar (HYD 10 a 20KTL-3PH) são de 380/400 V. A Growatt tem 220 V trifásico apenas com bateria de baixa tensão (WIT 10-15K-HU-L2). A Fronius vende no Brasil o monofásico Primo GEN24. O APstorage ELT 8K, que a CSolar instala, é trifásico 127/220 V mas para até 8 kVA e bateria de 48 V: é o degrau abaixo, não um concorrente direto.
Como a CSolar escolhe
A CSolar trabalha com o Solis S6-EH3P(15-35)K-H-LV(21A) com baterias Dyness PowerRack HV4 pelas cinco potências, pelas duas entradas de 80 A, pela entrada de gerador com partida automática, pela ficha e manual em português e pelos registros no INMETRO. Na comparação de propostas para o cliente, a régua é sempre a mesma: quanto fica ligado, por quantas horas, com que sobrecarga e com que garantia. Veja a página do inversor Solis S6-EH3P, a bateria Dyness PowerRack HV4 e a página de backup de energia para empresas.
Perguntas frequentes
O Deye de 30 kW é pior que o Solis? Não é isso que a tabela diz. O Deye é um bom híbrido de 30 kW para 220 V, com mais MPPT e mais unidades em paralelo. O Solis tem cinco potências, mais corrente de bateria, sobrecarga de 2 segundos mais alta e documentação brasileira completa. A escolha depende da carga e do banco.
Posso usar um híbrido de 380 V com transformador? É possível, mas o transformador custa, aquece, perde eficiência e complica a homologação. Com opções nativas de 127/220 V no mercado, não compensa.
E se a minha rede for 380 V? Aí a lista muda: Solis S6-EH3P(29.9-60)K-H, Deye SG01HP3 em 380 V, Sungrow, Huawei e GoodWe de 20 a 30 kW entram no jogo. A CSolar confirma a tensão na visita técnica.
Quantas baterias preciso? Depende das horas de autonomia. O método está em Quantos kWh de bateria a sua empresa precisa: método em 4 passos.
Artigos Relacionados:
- Quantos kWh de bateria a sua empresa precisa: método em 4 passos por segmento
- Gerador a diesel ou bateria de lítio: a conta de 10 anos para uma empresa de 30 kW
- Bateria de alta tensão ou 48 V: o que muda acima de 20 kWh
- Microinversor para 4 placas: quanto custa por painel, o que muda com 4 MPPTs e quando compensa
- Quantas baterias para um ELT 8K: a conta de autonomia com 180 A, 48 V e o que fica ligado